terça-feira, 25 de setembro de 2012

Reflexões I

 Inconstante. É, acho que essa é a palavra certa. Mudanças repentinas de humor, mas não com traços de bipolaridade e sim porque simplesmente as coisas deixam de uma hora para outra de serem interessantes. Hoje, o que antes me deixava em um estado de excitação já não  me anima mais e o que era considerado "chato" no momento me entretém. Talvez isso seja a famosa "fase" que tantos falam, chega um momento que "o de sempre" não basta mais e nosso ser clama por novidades ou por uma mera alteração na rotina. Há cantos  abandonados e empoeirados que necessitam urgentemente de serem renovados! De tempo ao tempo, tempo ao tempo...

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O Agora

"Ninguém viveu no passado e ninguém viverá no futuro; o presente, somente ele, é a forma exclusiva da vida, propriedade certa, que nada poderá jamais subtrair-lhe. O presente esta sempre ali, com tudo quanto abrange: continente e conteúdo quedam-se parados, imóveis, como arco-íris sobre a catarata. Por isso que a vida é assegurada à vontade, e o presente é assegurado imutavelmente à vida" - Schopenhauer

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Arrostando nossas escolhas

 Encaramos o mundo da maneira que parece ser mais conveniente para o momento da vida no qual estamos vivendo. Não existe uma única representação da realidade, esta se dá de acordo com os olhos daquele que a observa. Experiências de vida, frustrações e até o menor dos detalhes acaba por influenciar o modo como o universo se apresenta. É graças essa interpretação individual que um mesmo fato pode causar diferentes impactos na vida de cada ser, tudo depende do ponto de vista, do estado de espírito que o homem apresenta naquele determinado momento. Um exemplo disso é a atitude de julgar nossos próprios atos que ocorreram no passado, e não precisa ser em um passado distante, no dia posterior a alguma decisão que foi tomada já é possível perceber o surgimento de ideias que até então não tinham sido cogitadas. 
 Não existe nada mais mutável que a mente humana, todos os dias estamos sujeitos a um emaranhado de pensamentos que são capazes de se organizar de maneiras diferentes. Não existe uma única solução, não existe a verdade universal, o que se tem são modos distintos de se chegar as mais diversas conclusões através de uma ideia inicial. Essa ideia inicial é o ponto de partida para o desenrolar dos pensamentos e há sempre mais de uma opção a se seguir só que esta, como já disse, é altamente dependente do que anda se passando na nossa vida.
 Talvez por isso a sensação de arrependimento sempre se apresente a mim de forma muito passageira, se decisões foram tomadas é porque naquele instante isso me parecia a coisa certa a se fazer. Não há porque se martirizar a cada ato, muitas vezes a recompensa daquilo que pareceu ser errado vem em longo prazo.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Comodidade

Adiamento

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...

Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.

Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...
 
Álvaro de Campos