segunda-feira, 26 de abril de 2021

Indagação

Queria entender o que se passa
Queria entender o que se sente
Queria entender o que se vê
Queria entender o que se toca
Queria entender o que se vive

As vezes só passo
As vezes só sinto
As vezes só vejo
As vezes só toco
As vezes só vivo

Passou e não vi
Senti e não toquei

Não sei porque passei
Não sei o que senti
Não sei o que eu vi
Não sei o que toquei
Não sei se eu vivi

quinta-feira, 18 de março de 2021

À deriva

Continuo esperando por você  apesar de saber que é impossível ver você voltar
Continuo imaginando você preenchendo essas lacunas
Quantos desencontros são necessários para te encontrar?

sábado, 6 de março de 2021

Anseio

O silêncio entre nós parece uma eternidade
Não bastasse a distância você
me mantém distante

Queria abertura
Queria um convite para estar em seus braços
Mas você se contenta com palavras
E eu, não

Quero o toque
o cheiro
o som
Aqui, eu quero você

domingo, 21 de fevereiro de 2021

A Estrada

Os primeiros passos são tortos, não muito confiantes, mas com o tempo e a prática os pés até então desajeitados se tornam ansiosos e famintos por novos caminhos. E, os caminhos mudam, cruzam-se, juntam-se, desviam-se... Por vezes percorremos algumas estradas um tanto quanto sombrias, que nos levam mais rapidamente para o fim da jornada. Em outras ocasiões, a trajetória é tão sossegada que nos faz mudar de direção sem que notemos. Sempre existe uma pedra para tropeçar, um buraco para cair, mas nada que não se possa superar, já que aos poucos as passadas tornam-se convictas e cautelosas. Assim seguimos para a Grande Estrada, é lá que todos os pequenos caminhos e suas ramificações se encontram numa junção de pés já exaustos que procuram um lugar para repousar. A partir daí as trilhas que até pareciam ser ocultas tornam-se nítidas, as escolhas passam a ser certeiras, as perguntas ganham respostas e finalmente entende-se o que é a vida.

- Texto de 2016

Resiliência

Eu vivo
Contornando os obstáculos
São penosos os caminhos e,
eternas as curvas que
tangem o fim

Malabarista da vida
Equilibro e desequilibro 
Sempre encerro o espetáculo
O triunfo é relativo ao que almejo para mim

Navego com a maré 
Mas enfrento a correnteza
Danço conforme a música
Mas improviso nos compassos
Conteto
Enfrento
Fixo
Mudo
Me surpreendo
Mas não me atrapalho
Eu sou feita de retalhos
Junção de tudo que é bom
Com um pouco de tudo que é mau
E então?
O que vai ser ?
Dispenso o não e corro atrás do sim

Vá ser !
O que? Não importa !
Toc-toc
Tem alguém batendo na minha porta
Aqui a visita é sempre bem vinda
Depois decido se é boa ou ruim

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Dispersado

Eu tentava entender e buscar a origem do problema
Por que não me apegava?
E, por que de repente me apeguei a você?

Foram poucos encontros presentes mas,
pude sentir o vibrar em minha alma
Eu gosto do seu tato, do soar de suas palavras
Eu gosto do seu beijo e,
de você

Foram tantas tentativas vazias para de repente você aparecer
Foram tantas frases mal ditas
Tantos olhares distraídos
Tantos toques incertos
Tantos sorrisos amarelos
E, de repente,
você
Você
Você que não quer se apegar
Você que é escorregadio
Você que finge não ligar
Você

Buscando

Sozinha,
no mundo
Sozinha eu vou a fundo
Entendo a minha profundidade
Às vezes,
interpretam-me como vaidade

Quero dividir
Quero me abrir
Quero me despir
Voa meu coração !
Diga palavras em vão !

Não se assombre,
Não !
Por vezes a felicidade reside no incerto,
no perigo...
Veja, o abrigo !
Procuro residência
Na verdade, procuro partilha
Partilhar as alegrias,
as tristezas
Enlaçar os corpos e,
as almas

Procuro o amor !
E tu,
Procuras a mim ?