A única certeza na vida é a morte. Não é pessimismo, é realismo. Planos podem dar errado, mas o fim da linha sempre estará ali, a sua espera. Nascemos para morrer não para viver, nunca ficamos mais fortes e sim mais fracos ao longo dos anos. Lutamos e relutamos contra ela, ora, quem não sonha com um elixir da vida? Ser eterno, ser não-morto. Mas para que temer algo que cedo ou mais tarde vai chegar? Acho que é nessa pergunta que se encontra a resposta, nunca se sabe "o quando". É um caminho sem escolha.
As vezes gosto de imaginar como seria a vida das pessoas que convivem comigo se eu morresse. Não duvido que haveriam choros e lamentações, mas com o tempo minha ausência seria superada. Minhas gavetas seriam esvaziadas, minhas coisas doadas ou até mesmo guardadas como recordação. Restaria sempre o material, e só ele. O som da minha voz ia abandonar pessoas queridas e minha imagem se gastaria. Ou seja, eu seria lembranças, mas não lembranças reais. Eu seria apenas recordações do que "um dia aconteceu", do que "um dia viveu" e com a morte daqueles que viram meu óbito, essas memórias simplesmente deixariam de existir. Com o passar das gerações ninguém se lembraria que um dia alguém como eu habitou o mundo. Triste? Não, necessário. É o ciclo da vida, ou como eu prefiro chamar: é o ciclo da morte. É o que mantém o mundo como tal, o que recicla a matéria, o que permite a vida.
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:]