E depois de todos esses anos, estávamos ali, na mesma situação de quando éramos jovens e nos vimos pela primeira vez. Os cabelos grisalhos sobre ambas cabeças não condiziam com a história de que o tempo apaga tudo. No fundo, mesmo separados, mesmo com cada um tendo seguido sua vida do jeito que lhe foi conveniente, a chama de um sentimento permanecia acesa em nossos corações. O amor mais puro, algo inapagável. Algo que não compartilhamos com ninguém ao longo desse tempo que se foi, mas que guardamos em nossas memórias. Um sentimento que nos manteve aquecidos em tempos frios.
Peguei uma de minhas publicações a pedidos da filha que um dia sonhamos em ter juntos e comecei a leitura de um dos trechos. Sentia aqueles profundos olhos azuis acompanharem todos meus movimentos, cada mexer dos meus lábios, lábios que um dia pertenceram a ele, e que nunca tocaram outros com a mesma paixão do passado. Terminei de dizer minha última palavra e os aplausos tomaram o salão. Quando o som parecia se extinguir, palmas abafadas surgiram de uma direção. Levantei meu olhar e lá estava Tom a me aplaudir, atrasado como sempre. Mas, dessa vez era diferente. Não havia a obrigação moral de agradar uma jovem mulher. Havia admiração por quem eu havia me tornado, por todas minhas conquistas que foram feitas sem sua companhia. Um sentimento de realização mútuo, já que eu também me orgulhava do homem em que ele havia se transformado. Mesmo que distantes, por toda a eternidade, cada um viveria dentro do outro. Como se nós fossemos um só.
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:]